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Entre livros, afetos e encontros: a potência da 50ª Feira Internacional del Libro de Buenos Aires

Por Henrique André, direto de Buenos Aires


A Feira Internacional del Libro de Buenos Aires é daquelas experiências que fazem qualquer pessoa apaixonada por livros se sentir pequena diante da grandeza do que a literatura pode construir. Gigante, diversa, intensa e profundamente viva, a feira transforma Buenos Aires em um enorme território de encontros, narrativas e trocas culturais.


Para quem vem do Brasil, a sensação é familiar. A dinâmica da feira lembra muito as grandes bienais literárias brasileiras: corredores cheios, programação pulsante, famílias circulando, estudantes descobrindo autores, artistas independentes apresentando seus trabalhos e leitores carregando pilhas de livros nos braços. Existe uma energia coletiva que reafirma a literatura como experiência pública, popular e afetiva.

fotos Henrique André

E talvez esse seja um dos maiores encantos da feira: ela consegue ser monumental sem perder o calor humano.


Caminhar pelos pavilhões é também atravessar fronteiras simbólicas. É bonito ver a presença de países ocupando seus espaços com identidade própria, compartilhando culturas, estéticas e modos de narrar o mundo.


Nesta edição, o Peru — país homenageado — apresentou uma programação potente e sensível, reafirmando a riqueza da produção literária latino-americana. Uma diversidade de livros, apresentação culturais típicas do Peru, muitas pessoas no stand com roupas típicas e uma apresentação do país para além dos pontos turísticos, gastronomia, comportamento, cultura popular e contemporânea sendo exibida de forma vibrante pelos peruanos presentes no evento. Também chamaram atenção os estandes da Armênia, Ucrânia, Uruguai, Portugal e Brasil.



A presença brasileira, aliás, carrega uma curiosidade importante deste circuito internacional de feiras.

Segundo Darlan, representante da Câmara Brasileira do Livro, como a Feira Internacional del Libro de Bogotá e a feira de Buenos Aires acontecem em períodos muito próximos, o Brasil precisou escolher onde concentraria sua participação institucional este ano — e a escolha foi Buenos Aires.


Ainda assim, a sensação que permanece é que o Brasil precisa ampliar cada vez mais seu diálogo com a América Latina. Estar em eventos como esse evidencia o quanto temos a aprender e trocar com nossos países vizinhos, especialmente no campo da literatura, da ilustração, da produção gráfica e das narrativas voltadas às infâncias.



Mas Buenos Aires também acontece fora da feira. Buenos Aires é uma cidade de charme difícil de explicar. Há beleza nas ruas arborizadas, nos cafés antigos, nas livrarias espalhadas pelos bairros e no modo como a cidade parece respirar arte e memória. Buenos Aires possui uma melancolia elegante, mas também uma vitalidade cultural intensa. Caminhar por suas avenidas é sentir a literatura acontecendo para além dos livros.


E entre tantos encontros marcantes, um deles merece destaque especial: o acolhimento da equipe do Instituto Guimarães Rosa.

Mais do que um espaço dedicado ao ensino da língua portuguesa, o instituto atua como uma ponte viva entre culturas. É um lugar onde a diversidade brasileira ganha presença, voz e troca verdadeira. Música, literatura, artes visuais, debates e encontros ajudam a construir uma imagem do Brasil muito mais ampla, plural e afetiva. Fui recebido com uma generosidade rara, daquelas que fazem a gente se sentir em casa mesmo estando em outro país.


Saio da Feira Internacional del Libro de Buenos Aires com a sensação de que os livros continuam sendo uma das ferramentas mais poderosas de aproximação entre pessoas, territórios e sonhos.


Em tempos de tantas fronteiras erguidas, feiras como essa nos lembram que a literatura ainda é capaz de construir pontes.










Henrique André é escritor, designer, ilustrador e editor, além de pesquisador de Afrofuturismo. Autor dos livros Marminino, o mundo de OciKomo, Afrofuturo - Ancestral do Amanhã, entre outros.






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