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Posições Fetais (poema cronicado)

Saio na rua e vejo posições fetais.

Os homens estão entulhados, feito lixo Jogados. No chão.


Um monte deles jogados. E a gente finge que não vê.

Inclusive eu. Que me digo gente de luz.


Gratiluz.

Gratidão.

Mas eu vou todos os domingos na igreja, meu irmão. Eu ainda sou espiritualista. Faço iôga, faço ióga, faço iogaterapia, e pago caro nas sessões.


E uso aromaterapia para suspirar o vento leve a natureza leve a brisa que vem la da bahia, que vem da bahia de santos, que vem do Estado do Espírito Santo.


A gente finge que não vê. A sociedade finge que não vê Inclusive eu


Dá igual carrapato, gente comida, gente carcomida

Dá aos montes no Largo do Machado e no largo da Santa Cecília. E na Estação República.


E a gente finge que não vê.

Travestis na prostuição e até garoto de programa: michê


Tem gente na ilusão de ler cartas de tarô Inclusive eu.

To na fila pra ver se faço amarração do meu grande amor que se esca- fedeu escapou. Escafedeu-se fodeu-se.


Milhões de gente pedindo esmolas, 1 real, 1 pão, serve miojo.

Mas o padre e o pastor disse que não se deve doar.

É porque cria dependência, Igual auxílio emergencial.

Que agora acabou. Acabou-se. Fodeu-se.


E de novo eu vejo homens e mulheres muitos homens corpulentos poderia ter até sido dotô na outra encarnação.

Nessa mesma também poderiam

Mas estão em posições fetais

pedindo colo pedindo mama pedindo mamãe pedindo respeito

privilégio que eu tenho Eu faço meditação

Gratidão Gratiluz

Fedentos sujimundos

eu passo toda perfumada e sinto o cheiro da carne aprodrecida um coração esquecido por mamãe por papai.


Pelo país que se diz chamar Brasil que reza uní-ssono e entorpecido

Em nome do Coronel Brilhante Ustra Amém


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